27 de dezembro de 2018

Na Morada de Piripiri

Amanheci com formigamento...
Coçando as mãos e o nariz.
Um desejo incontrolável de colocar as mãos na terra ...
Era uma comichão!
Afundar e fincar os dedos no solo e Ir até onde a distância permitisse.   
Come Chão mesmo... Aquela fissura que as grávidas sentem e devoram coisas de barro e as crianças colocam terra na boca.
Vontade de plantar algo que se adaptasse ao solo como raiz de Pripioca.
Tão perfumada que encantasse Piripiri e ele nunca mais se fosse.
Ir atrás do perfume do guerreiro meio material e meio espiritual que me enfeitiçou com magia pura...
Eu já havia amarrado os pés do "Perfumado" com cabelos em noite de Lua Cheia. Já havia feito loucuras para mantê-lo por perto.
Ele, Piripiri, esperto que é, fugiu sorrateiramente à noite e virou Arapari. Constelação de estrelas chamadas Mintaka, Alnilan e Alnitak.
Sempre acreditei serem nomes femininos representados pelas Três Marias.
Piripiri, a fim de não trazer o ciúme para dentro dos corações das donzelas que o assediavam apaixonadas, escolheu sabiamente como nomear as  deidades.
E após se dissolveu...Virou fumaça...
Porém deixou algo para nos consolar: As raízes da Piripri-oca. «Morada de Piripiri».
Aroma que entontece, inebria em banhos que curam a alma doente da saudade de algo que nunca conheceu.
Bálsamo, olor, essência que recende ambiência inundando além dos sentidos.
Poção mágica de sedução e sorte.
Aroma de inicio e fim de mundo...
Mari Thererè
Maria Tereza Penna

Texto criado para a Antologia Brasil Conto por Conto elaborada por Angela Mota

https://www.facebook.com/Lan%C3%A7amento-do-livro-Brasil-Conto-Por-Conto-1495628343893067/

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