21 de setembro de 2012

O Instante Manufaturado





Estava ansiosa e insegura. Queria correr dali.
Onde eu fui amarrar minha égua?
Saíra de Belo Horizonte para ser ridicularizada ali?
Tinha quadros de Rebolo, Aldemir Martins, Caribè, Volpi e sabe-lá quantos mais... Fiquei tonta ao ver tantos quadros e tantas obras num mesmo espaço. Parecia um museu.
Como fui parar ali apenas com um telefonema? Queria saber quem era autoridade em artes na Bahia. E me deram o telefone de Romano Galeffi.
Peguei meus dois filhos, minha prima que viera de BH e meus quadros e enfiei tudo num taxi e baixei para a Alameda Lorena.
Agora estava morrendo de medo que a família soubesse que eu era um fracasso. Que eu sou uma tola sonhadora...
Veio na minha cabeça a imagem de D. Leonina, ex esposa do Maestro do Teatro Francisco Nunes.  Eu estava atrás da porta e ela sentada na sala da minha casa. Viera oferecer seu piano aos meus pais e avós para que eu não parasse com o estudo de piano. Dizia que eu merecia o piano apesar do pouquíssimo tempo de aulas.
Ficara viúva e teria que se desfazer do piano para morar com o filho.
Meus pai e avô viram que o piano era grande demais para passar pela janela e decidiram que iria atrapalhar meus estudos.
Agora o que é que eu estava fazendo ali?
Tinha um senhor com alguns quadros, uma morena simpática que eu soube ser a Secretária de Cultura do Estado da Bahia e nós juntos na sala de espera...
Um senhor de cabelos grisalhos e ar sério, mas confiável apareceu, olhou para todos e para os objetos e se dirigiu a mim.
Espere...
Atendeu primeiro ao senhor que estava com alguns quadros também.
Alguns minutos após Sr. Galeffi estava de volta pega um de meus quadros e se volta para a Secretária de Cultura: O que você está vendo? E ela responde: A Catedral de Palermo.
Estavam chegando de uma viagem à Itália.
Ele se dirige para mim, olhando pela primeira vez nos olhos e me argui: Você pintou a Catedral de Palermo? Já esteve na Itália?
Eu respondi: Eu nunca estive na Itália, mas meus avós são Italianos.
Ele continua olhando o quadro em suas mãos e afirma: Nenhuma das fotos que eu tenho retrata tão fiel a sensação de estar dentro da Catedral de Palermo.
Fiquei indo e vindo vários dias, participei de várias reuniões no Centro Brasileiro de Estudos Estéticos na Bahia que era parceira da UFBA.
Ele me pediu que deixasse alguns trabalhos na MATRIZ, o que eu fiz de pronto.
Saí algumas vezes em matérias no Jornal A TARDE que veicula em Salvador e ele me deixou essas laudas acima.
Voltei para Belo Horizonte poucos meses depois e o Maestro Sérgio Magnani veio conferir meu “Trabalho”.
Enviei o tal quadro ao Salão Nello Nuno, e o quadro participou da exposição.
Realizei uma Exposição em 87 na Aliança Francesa e expus o quadro.
Aconteceram outras exposições e trabalhos e muitas outras coisas. Coisas que deveriam e que não deveriam ter acontecido...
Os quadros? Vendi a maioria e esse em especial sumiu... Não me pergunte como, mas sumiu...
Nunca parei de realizar, só que, o que é importante para mim, é o fazer, o momento e a sensação... Depois, o depois não importa muito...
O instante, a emoção do instante manufaturado se torna eterna... 

PS: Eu não procurei por Bach, Bach  estava em mim...
Eu só preciso crer!...
Não reli... Estou escrevendo de Sopetão

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