2 de julho de 2013

VIOLINISTA CHINESA VEM AO BRASIL GRAVAR OBRAS DE COMPOSITOR MINEIRO


Kia Hui Tan  estudou piano, violino, teoria da música e composição em seu país natal, Singapura, antes de receber bolsas de estudo para a Guildhall School of Music and Drama em Londres e no Cleveland Institute of Music-EUA, onde foi-lhe conferida o título de Ph.D. em Artes Musicais em 2001. Dra. Kia Hui Tan foi solista e recitalista em 25 estados dos Estados Unidos, e em 20 países em 5 continentes, inclusive no Barbican Hall de Londres e no Carnegie Hall de Nova York. Descrita pela revista Strad como "uma violinista cuja virtuosidade foi assombrosa", ela ganhou inúmeros prêmios inclusive a Medalha de Bronze no 1 Concurso Internacional de Violino NTDTV em 2008. Tem em seu repertório mais de 300 obras de câmara, e tem estreado composições de cerca de 50 compositores vivos. Foi membro de vários grupos de música e é frequentemente convidada para tocar em festivais e conferências, muitas vezes apresentando recitais/conferência sobre repertório inexplorado para violino solo. Experiente primeiro violinista de orquestra já tocou sob a batuta de Sir Colin Davis e Mstislav Rostropovitch entre outros notáveis maestros. Atualmente é professora de violino na Escola de Música da Universidade de Ohio-EUA e toca em um violino italiano do ano de 1700.
Gravação pela violinista Dra. Kia-Hui Tan em Belo Horizonte, de três obras musicais do compositor Andersen Viana: Fantasieta (1983), Cantilena (2003) e Micropeças (2011), ambas para violino solo.
Julho de 2013
Estúdio Serrassônica (Estúdio A) - Belo Horizonte 

Andersen Viana


Andersen Viana
É natural de Belo Horizonte. Ph.D em Música-Composição pela Universidade Federal da Bahia, atua como compositor, produtor cultural e leciona diversas matérias musicais no Palácio das Artes e Música de Cinema, na Escola Livre de Cinema. Estudou nas seguintes instituições musicais no Brasil, Itália e Suécia: Reale Accademia di Bologna, Arts Academy of Rome, Accademia Chigiana di Siena, Royal University College of Music de Estocolmo, UFMG e UFBA. Por sua obra musical, recebeu 21 premiações no Brasil e exterior, incluindo: 1º Lugar no “Concurso Internacional de Composição Susanville Orchestra - EUA 2012”, 1º Lugar no Concurso Internacional de Composição”Lys Music Orchestra 2001”, na Bélgica, e o 1º Lugar e o Prêmio do Público no “Concurso de Lambersart 2006”, na França. Em seu catálogo atual constam 310 obras compostas para vozes, instrumentos acústicos e eletrônicos.

FANTASIETA
Fantasieta (1983) foi a primeira peça para violino solo composta por Andersen Viana, quando ainda era aluno de viola do Prof. Paulo Bosísio (discípulo de Max Rostal). Faz parte de uma série de pequenas fantasias dedicadas aos mais diversos instrumentos, onde a arte e a técnica exploram ao máximo as possibilidades expressivas de cada instrumento. Este projeto continua sendo executado, tendo como última obra a Fantasieta para Tuba solo (2012). A Fantasieta para violino explora as diversas possibilidades de produção de som, tais como: cordas duplas, triplas e quádruplas, harmônico artificial de quinta, tremolos, glissandos, trinados e variados golpes de arco, utilizando a extensão do instrumento desde o sol grave até o dó sobre-agudo.

Sob o aspecto composicional, é uma obra de curta duração (4’30”) e de uma “facilidade relativa” para o intérprete, devido às suas qualidades idiomáticas, não existindo nenhuma passagem que seja antiviolinística. A obra foi estruturada a partir de uma pequena introdução rítmica (Vivo), uma parte lírica (Lento cantabile), uma seção contrastante (Rapido), –  em que  é utilizada a rítmica brasileira oriunda do Choro  e do Samba  –  ,  finalizando o discurso musical até então apresentado e delimitando o encerramento de uma seção mais ampla.
          
A próxima seção (Un poco leggiero e giocoso), lírica, que contrasta com a anterior, apresenta novo material, logo seguida de uma pequena variação em spiccato, alcançando a reexposição do Lento cantabile e atingindo o ponto culminante com a nota dó. Finaliza com uma coda brilhante (Presto). Esta obra existe também na versão para viola solo.

CANTILENA
A Cantilena (2003) foi a segunda obra do compositor para violino solo. Possui outras duas versões: uma para viola solo e outra para violoncelo solo. A exemplo da Fantasieta, a Cantilena explora diversas possibilidades expressivas do instrumento, tais como: cordas duplas, triplas e quádruplas, harmônicos naturais simples e duplos, tremolos, trinados, sul tasto e variados golpes de arco. Utiliza a extensão desde o sol grave até o si agudo. É, também, uma obra em que o intérprete tem liberdade sob alguns parâmetros. Sob o aspecto composicional, é uma obra de maior duração do que a sua predecessora (6’30”) e mantém as qualidades idiomáticas do instrumento, desenvolvendo uma “bifonia” em quase a sua totalidade. A Cantilena se diferencia das duas outras obras (Fantasieta e Micropeças), pois foi pensada sonoramente a partir de imagens cinematográficas e de um hipotético film noir passado no sertão brasileiro. O motivo principal tem caráter modal – mixolídio transposto uma segunda maior acima –  e nos remete também à música de tradição oral do Nordeste do Brasil.

A obra foi estruturada a partir de um tema principal de caráter lírico (Andante malinconico), em que se podem observar, inclusive, uma possível tristeza do sertanejo e sua luta contra as adversidades da vida e da natureza, seguida de uma variação melódica (Pìu mosso), sempre com reminiscências e motivos do tema principal. Em Mosso, outra variação surge, utilizando para tanto o virtuosismo, com o uso do golpe de arco ricochet, tentando criar um campo harmônico a partir da velocidade usada, alternando as notas nas quatro cordas. Em Meno, há uma transição, para que se chegue até a coda (Grandiosamente!), que é originária da escala hexatônica (tons inteiros).

MICROPEÇAS
Micropeças (2011) compreende o conjunto de catorze composições, cada uma com uma duração muito reduzida, em que a arte e a técnica do violino são utilizadas no máximo das possibilidades expressivas e da maneira mais sintética possível. Isso pode ser considerado como uma influência do pensamento criativo oriental, a exemplo da composição dos Haiku, forma poética de origem japonesa que valoriza a concisão e a objetividade. Nesta obra, incluem-se passagens em que o uso da indeterminação faz-se presente .

Nas Micropeças, podem-se encontrar variadas possibilidades de produção de som, tais como: cordas duplas, triplas e quádruplas, harmônicos naturais e artificiais (simples e duplos), pizzicato de mão esquerda, glissandos duplos, trinados, variados golpes de arco e sons não convencionais (atrás do cavalete). Utiliza-se a extensão desde o sol grave até uma nota indeterminada na região super-aguda, na última corda do instrumento.

Micropeças possui uma “certa facilidade interpretativa”, devido a suas qualidades idiomáticas, em que andamentos lentos, moderados e rápidos se alternam, criando um todo de grande efeito sonoro e performático. Os números XI, XII e XIII fazem com que esta obra pertença a um projeto conceitual maior, intitulado “Hibridismo”, em que células e motivos de outros três movimentos da obra Suíte Floral (1986), do mesmo compositor, são utilizados e transformados em algo novo. As “respirações” entre uma micropeça e outra, caso existam, deverão ser mínimas. Existem também as versões para viola e violoncelo. É uma obra excelente para recitais e concursos, demonstrando, com base em uma linguagem atual, muitas das possibilidades da arte e da técnica do violino.

Contato:
Andersen Viana:
e-mail: vianabr2005@yahoo.com.br

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