20 de outubro de 2013

A Mulher Que Anda Na Rua

SONETO À LUA
                                Vinícius de Morais

Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?

Fugaz, com que direito tens-me presa
A alma que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tampouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!

Rio, 1938


Eu declamei essa poesia hoje.
No final eu disse: Só não gostei de: Vagabunda, patética e indefesa.
Instinto feminino, ou seria feminista?
Não importa...
Não era a mulher que anda na rua...
Não era uma mulher branca ou pequenina...
E quem era essa adorável Vagabunda, Patética e Indefesa?
Quem?
Quem poeta?
A quem meus lábios defenderam ou ultrajaram?
-A Lua, mulher!
-A Lua!
-A tão famosa e tão brilhante Lua!
A Lua que, tão de todos, se tornou Vagabunda...
Que de tão fiel, tão leal e de uma só cara, se tornou Patética...
De tão desejada, tão cobiçada e tão falada,
Se torna Indefesa diante das imagens
Que se traduzem em letras
Que formam as palavras.
Que alimentam as mentes vagantes
De Filósofos,
De Amantes
e de Poetas...

Maria Tereza Penna

Um comentário:

Valquiria Imperiano disse...

VEJO NESSA APRECAIçAO UMA MANEIRA LINDA, POéTICA E SENSIVEL DE APRECIAR A RAIHA DA NOITE, AMEI SUA POESIA, ATRAS DE UMA MULHER QUE FALA MUITO, UMA MULHE QUE ESCREVE MUITO MAIS. LINDO

MINHA FORTALEZA


VOLTA PRA MIM!!!
MESMO QUE ESTEJA EM OUTRA DIMENSÃO!!