7 de maio de 2017

Rio Doce

Minha Poesia para o concurso da 
Cultive Art Littérature Solidrité
3º Lugar

RIO DOCE
 Maria Tereza Penna

Sabor adocicado
Agradável Cidra
De manso movimento
E discreta cortesia

Era Doce o Rio

De descompromissado agridoce
Afrodisíaco perfume
Que alteava apetite
Estimulava e constrangia
Num frenesi de terras enlevas
Em águas esverdeadas

Era Rio rascante
Ao penetrar veemente
O abundante mar

Era Rio Doce...

Hoje é Rio de Lama
Enxofre, Arsênio, Mercúrio e Cromo
Envenenam e contaminam
Com mágoa que inunda
De amarume o coração.

Rio morto vira lama
Amontoado de porção
Apodrece o desvalido
Pélago enfermo de peçonha
Sofre o bêbado da vergonha
Vale de ruína e assolação.

O Sertão vai virar Mar?
Mar vai virar sertão?
Que eu possa me arrepiar
Todas as vezes que ouvir o verso
E torcer para que reversa seja
Catástrofe verdadeira
Que matou crença, fé e ilusão.

http://www.salondulivre.ch/fr/auteurs/page-22
http://www.salondulivre.ch/fr/auteurs/page-22

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