17 de novembro de 2014

A Dama de Vermelho

Ensaio sobre Carmen de Bizet 

Era Carmen.
Ali com o vestido da sua mãe.
Vermelho intenso com pois brancos que ao girarem pareciam uma impressão de Monet.
Seguia invertida em estrelas sobre sol de oriente que giravam ao redor.
Sobras de sapatos de saltos, que ora adiantavam, ora retardavam, mas não afetavam o equilíbrio dos ágeis pés que se aventuravam no rodopio.
Sapatos de gente grande em pés pequenos fazem milagres em pessoa miúda.
Castanholas, presente do avô, surravam o ar, com a originalidade peculiar na inexperiência. Um único compromisso com a ciência produzia a batida do som que impregnava o ritmo aos passos marcados.
Lá ia ela no auge dos seus 5 anos. Lá ia ela... A RI A TI TA, A RI A PI A, A RIA TA TA Ta, Lá ia ela... Lá ia ela jogando braços nessa cadencia silábica, quase uma prece para a inspiração. Um mantra cigano, uma onomatopeia! Lá ia ela castanholando ao timbre de colheres de madeira e passos andaluzes.
Exigia o olhar obediente da plateia que permanecia sentada assistindo ao espetáculo sem autonomia para retirar o foco.
E quando o sonho acabava ela inclinava a cabeça em agradecimento, mesmo que não se observasse gesto algum na intenção de fazê-lo. 
Sentiam-se intimidados e coagidos a aplaudir, sem julgar ou questionar . 
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Segue no livro .....

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